quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

Ano Novo: Renovam-se as esperanças
:: Saul Brandalise Jr. ::
As pessoas param, dedicam alguns segundos para refletirem sobre suas vidas, seus amigos, familiares. Analisam suas atitudes... (É bem verdade que só alguns fazem isso)... Reúnem-se em festas, abraçam-se, choram, emocionam-se. Dão presentes. Enviam cartões de Natal. Visitam-se, viajam, tiram férias...É o cenário mais típico de um Natal bem brasileiro. É a forma como fazemos a passagem - alguns se referem assim ao momento do Ano Novo - mas é a passagem para o nada, porque tudo fica, depois da festa, como era antes.É muita emoção... Mas é só isso. Porque logo em seguida todos voltam à rotina de suas vidas e as esperanças se anulam e logo morrem. Continuamos sendo o que sempre fomos. Perpetuamos nossas ações e, paradoxalmente, queremos colher novos frutos. Não nos damos conta, provavelmente pela emoção que nos toma no momento, que nossas esperanças precisam de NOVAS atitudes e estas, as atitudes, por sua vez, precisam ser precedidas de novos e avassaladores pensamentos. Os conceitos precisam mudar.É preciso, para que o ano novo seja efetivamente novo, e que assim saia do calendário e se renove, que pensamentos desabrochem em estado de novidade.Poucos se dão conta que são hoje o resultado de suas decisões até este momento.A intenção de mudar é fantástica, mas o que realmente faz a diferença são as nossas atitudes.Assim, para mudar, não é preciso estar no Final de mais um ano. Não pode ser uma ação só do calendário gregoriano. Tem que ser uma nova forma de encararmos a nossa vida. É preciso olhar mais para o nosso interior e menos para o nosso bolso.Só assim, teremos uma nova vida. Quer mudar? Mude suas atitudes.Quer ter novas atitudes? Mude seus pensamentos.Só assim poderemos dizer que estamos criando uma nova realidade em nossos corações e almas.É uma ação hipócrita lembrar das pessoas que fazem a diferença em nossas vidas, somente em uma festa, em um determinado momento do ano, ou em um velório.Vamos usar este momento para a grande virada, a grande mudança.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A Arte do Saber

A arte de saber fazer-se



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desnecessário
por Clarice Casado



Li outro dia em uma revista que ser pai ou mãe é a arte de saber fazer-se desnecessário. Um dia. Um dia, claro. Aos poucos, à medida que os filhos vão crescendo. Não sei se concordo com tal afirmativa. Posso até concordar que precisamos aprender a nos desgrudar aos poucos dos filhos, mas não concordo que seja arte, porque arte não se aprende. Arte que é boa nasce junto com o artista.


Assim, dizer que é "arte" a consciência de que nossos filhos não precisarão eternamente de nós é maluquice. Podemos aprender a deixar nossos filhos viverem independentes, sem nós - isso, sim. Mas não creio que cortem completamente o cordão umbilical. A ligação é eterna. Só quem não é mãe (ou pai, também) pode dizer que os filhos um dia deixam de precisar de nós completamente.


Essa reflexão surgiu-me porque hoje meu filho partiu pela primeira vez com sua escola para um passeio mais longe, foi à praia de Santos, em São Paulo, para visitar o Aquário Municipal, que é muito conhecido na cidade.
Estava eufórico há dias com a expectativa da curta viagem. Contando os dias. Fazendo planos, falando sobre os vários tipos de peixe que veria. Hoje, acordou-se às seis da manhã e veio até mim com um sorriso, "Mamãe, é hoje o dia!". E eu, compartilhando de sua felicidade, e ao mesmo tempo apreensiva com o fato de ter que deixá-lo ir, "É, filho, que bom!", para transmitir-lhe toda a segurança de que precisava.


Nos vestimos e arrumei para ele uma pequena mochila, com lanche, água, uma revistinha, um joguinho. Disse-me que não precisava de nada daquilo, a professora avisara que haveria lanches no ônibus e almoço no local, e que eles fariam também atividades divertidas na viagem. Ou seja, surpreendeu-me com sua maturidade e independência rejeitando os pedaços de mim que eu estava enviando na forma do lanche, da revistinha... Mas, tudo bem: aprendendo a deixá-lo ser independente.


Já na escola, os outros amiguinhos traziam também sorrisos satisfeitos, andavam de um lado para o outro, e as mães e pais, ao redor, com as feições exatamente iguais às minhas: misto de felicidade com preocupação. Normal: tentando aprender (com eles) que devemos deixá-los serem independentes.
Em fila, partem para o ônibus. Meu filho me vê, pára, me enche de beijos rapidamente, e segue os amigos. Entram rapidamente no ônibus, vejo sua cabecinha entre as poltronas, pelas janelas. Senta-se bem perto de uma, procura-me, começa a acenar vigorosamente, mandando beijos e sorrisinhos. Ouço a música das vozes dos pais, "Onde está o Fulano?", "Está ali, eu vi, ao lado do meu!", acenam, mandam beijos, abençoam (várias bênçãos!), "Vai com Deus, minha filha!".


Nós, ali: assistindo ao começo da independência de nossos filhos. Sorrindo muito, vamos passar-lhes segurança. Mas vamos deixá-los ir. O ônibus dá a partida, as vozes dos pais aumentam e se confundem em um mar de "tchaus" e acenos sem parar. As crianças todas riem. A expectativa da chegada em um lugar desconhecido, pensei, "O que será que estão pensando agora, cada um?". Um nozinho na minha garganta, aquela vontadezinha de chorar, apertinho no coração. E o sorriso firme nos lábios, meus olhos fixos nos dele.


Um espetáculo. Verdadeiramente, felicidade em estado bruto. Isso sim, arte.

Fonte:http://www.paginadois.com.br/textos/artedesaberfazerse.html