sábado, 31 de janeiro de 2009

Mulher...


Por Margareth dos Reis - Psicologia
Mulher:

Produto com data de validade Um dia com 24 horas é pouco para tanta responsabilidade e deveres ...

Se no tempo de nossas avós a mulher começava seu exercício sexual cedo para reproduzir e era levada à exaustão pelo número de filhos que paria, hoje é levada à exaustão pela exigência social de ser sexualmente desejável, orgástica e independente, além de se transformar em um troféu digno de ser exibido pelo homem. A mulher madura também é pressionada a se encaixar nos padrões vigentes de beleza e juventude, nem que seja negando seu próprio tipo físico, e entram assim em jogo os referenciais criados pelo homem para validar a situação feminina. Se a mulher atinge estes
referenciais, ainda tem que provar algum valor além da beleza, porque, a princípio, de uma mulher bela não se espera inteligência, preparo profissional, ou qualquer atributo que a faça sobressair na vida pública. Por outro lado, se é somente nesta esfera pública que a mulher se destaca, então sua feminilidade é ferozmente atacada. Esta realidade
tem causado o adoecimento físico, emocional e psíquico das mulheres, pois elas são as principais vítimas da depressão, da anorexia e da agressão física e emocional dos homens. A preservação do papel da mulher enquanto objeto e do papel do homem enquanto sujeito da história, a intensa erotização e a banalização da sexualidade que presenciamos hoje não têm causado prejuízos somente às mulheres, mas também aos homens e ao relacionamento entre ambos. O homem maduro tem se tornado alvo, involuntário ou não, das conquistas de jovens belas e sedutoras e acaba, via de regra, sendo vítima da fantasia ilusória de que elas sejam mulheres maduras para enfrentar os percalços da vida a dois. Por outro lado, sente-se desconfortável na convivência com uma mulher que detém qualidades que ele entende serem exclusivas do masculino: cultura, razão, estatuto social, espírito crítico etc. De certa maneira, a dificuldade do homem em aprofundar o relacionamento e a forma fragmentada com que se relaciona com a mulher elegendo peitos, bundas e outras partes do corpo feminino em detrimento da aceitação do todo são formas que ele encontrou para reagir à mudança da postura feminina e resistir no lugar que sempre lhe coube, de soberania e comando. Com os avanços da tecnologia que promove a beleza e a durabilidade da juventude, interessa refletirmos sobre o vencimento do prazo de validade dos padrões de comportamento que vêm regendo as relações entre homens e mulheres. Este seria o momento de se experimentar novos parâmetros de comportamentos para que ambos possam dividir espaços comuns, tanto na esfera privada como na pública, sem a rivalidade que sempre caracterizou estas divisões, a fim de que possam construir de fato uma nova realidade e uma nova forma de relacionamento que os aproxime.
Dra. Margareth dos Reis e psicóloga clínica, terapeuta sexual e de casais no Instituto H.Ellis-SP. Autora do livro Mulher: Produto com data de validade (Editora O Nome da Rosa).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O que faz bem pra minha saúde!


O que faz bem pra minha saúde!


Luiz Fernando Veríssimo

Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere... Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha. Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos. Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem! Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde! E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda! Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna. Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca! Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é melhor do que nada!
Procura-se Fonte...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Café mais caro do mundo.


Fiquei sabendo da existência desse café através do filme “Antes de partir”, uma comédia com Jack Nicholson e Morgan Freeman. Conta a história de Edward Cole e Carter Chambers, dois idosos com doenças terminais que decidem fugir da instituição onde se tratam para aproveitar o resto de vida que lhes restam. Muito bom.Voltando ao café, chama-se Kopi Luwak, ele é originário da Indonésia, e dizem que é café mais saboroso e caro do mundo, e possui um ingrediente bastante excêntrico.Sabe qual é o segredo do café mais raro do mundo?Os preciosos grãos são processados pelo aparelho gastrointestinal da civeta, pequeno mamífero asiático, parecido com um gato, este escolhe com bastante critério os grãos que irá ingerir. Depois de digeridos e excretados os preparadores recolhem das suas fezes cada grão que será cuidadosamente lavado para serem comercializados.É justamente pela sua pequena produção, 250 quilos por ano, que torna o seu valor altíssimo, cerca de 2 mil reais o quilo. A fermentação natural que ocorre no estômago do Luwak que o tornam uma raridade apreciada em todo o mundo, garantindo sabor e aroma inigualavelmente adocicado.Quem quiser experimentar irá pagar R$ 25, o expresso.
Observação: Assistam este filme, pois vale ouro e grandes lições para nossas vidas.
Procura-se: Fonte e autoria.

Gastrosexuais


"O número de gastrosexuais, homens que têm jeito para a culinária e conquistam as mulheres com essa habilidade, está a aumentar. Segundo um estudo da Future Foundation, o tempo que os homens passam atualmente na cozinha é cinco vezes superior ao de 1961.Depois dos metrossexuais, caracterizados por homens que dão muito valor à aparência, surgem agora os gastrosexuais, que têm jeito para a culinária e até conquistam através dessa habilidade.Os gastrossexuais têm na maioria entre 25 e 45 anos, não são necessariamente ricos, mas têm jeito para escolher e misturar ingredientes e usam esse talento para seduzir as mulheres.O conceito de gastrosexual foi criado pela Future Foundation, uma instituição que faz estudos de mercado, e que se inspirou em Jamie Oliver, um famoso cozinheiro britânico, depois de ter constatado que a tendência do homem moderno passar horas na cozinha tem vindo a crescer.Para 48 por cento dos entrevistados num estudo realizado em Inglaterra, saber cozinhar torna as pessoas mais atraentes. No mesmo estudo, um quarto dos homens confessou que se serve da culinária para conquistar uma mulher.Uma das razões apontadas para o crescente número de gastrosexuais prende-se com o facto de serem cada vez mais os homens que vivem sozinhos e que assumem a responsabilidade das tarefas domésticas.De acordo com o mesmo estudo, o tempo que os homens passam actualmente na cozinha é cinco vezes superior ao de 1961."
Procura-se: Fonte e Autor(a)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Caro Bom Senso


CARO(A) AMIGO(A),
É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO…
… e que viveu muitos e muitos anos entre nós.
Ninguém conhecia com precisão a sua idade porque o registro no qual constava o seu nascimento foi desclassificado há imenso tempo, devido à sua enorme antiguidade.
Mas lembramo-nos muito bem dele, nomeadamente pelas suas lições de vida como :
« O mundo pertence àqueles que se levantam cedo »
« Não podemos esperar tudo dos outros »
Ou ainda « O que me acontece pode ser em parte também por minha culpa »
E também … BOM SENSO só vivia com regras simples e práticas como :
« Não gastar mais do que se tem »
e de claros princípios educativos como :
« São os pais quem decide em definitivo »
Aconteceu que BOM SENSO principiou a perder o pé quando os pais começaram a atacar os professores que acreditavam ter feito bem o seu trabalho querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras.
Tomando conhecimento que um educador foi afastado por ter repreendido um aluno demasiado excitado na aula, agravou-se o seu estado de saúde.
Deteriorou-se mais ainda quando as escolas ficaram obrigadas a obter autorização parental para por um penso num dodói de um aluno, embora não pudessem informar os pais de outros perigos mais graves incorridos pela criança. Enfim, BOM SENSO perdeu a vontade de sobreviver quando constatou que os ladrões e os criminosos recebiam melhor tratamento que as suas vítimas. Também recebeu verdadeiros golpes morais e físicos, quando a Justiça decidiu que era reprovável defendermo-nos de um gatuno na nossa própria casa, enquanto a este último é dada a possibilidade de queixar-se por agressão e atentado à integridade física ... BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e a vontade de viver quando soube que uma mulher, que não alcançou que uma chávena de café quente pode queimar e que desajeitadamente deixou derramar algumas gotas sobre uma perna, recebeu por isso uma colossal indenização do fabricante da cafeteira elétrica. E como certamente saberá, a morte de BOM SENSO foi precedida pelo falecimento:
- dos seu pais Verdade e Confiança;
- da sua mulher Discrição;
- da sua filha Responsabilidade e do filho Razão. BOM SENSO deixa o seu lugar plenamente a três falsos irmãos :
- « Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos »
- « A culpa não é minha »
- « Sou uma vítima da sociedade » Claro que não haverá multidão no seu enterro porque já não existem muitas pessoas que o conheçam bem, e poucos se darão conta de que ele partiu. Mas se você ainda se recorda dele e caso queira reavivar a sua lembrança,
previna todos os seus amigos do desaparecimento do saudoso BOM SENSO fazendo circular esta participação… Senão, não faça nada e ... deixe andar !!!

Procura-se Autoria.




domingo, 25 de janeiro de 2009

Estender as Mãos...


Estender as mãos...
por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
Como é bom quando estamos tristes e alguém nos acolhe, oferece apoio ou simplesmente escuta nosso desabafo!Quem um dia não precisou de um ombro amigo? E quem um dia não teve a oportunidade de servir de apoio a alguém?Com certeza, oferecer e receber carinho é algo muito bom, mas nas relações íntimas muitas vezes as coisas se perdem e as pessoas acabam esperando uma das outras mais do que deveriam. São muitos os casos de amizades que terminam por conta de um desencontro. Isso para não falar em amor e relacionamentos mais profundos.Todos nós esperamos coisas das pessoas que estão à nossa volta. Todos temos expectativas quando conversamos, ou oferecemos idéias a aqueles que estão no nosso caminho e é muito fácil se decepcionar com o esquecimento, ou a falta de comprometimento do outro e de lealdade...Esther me procurou para ajudar a curar uma dor de amor. Homossexual, estava bem resolvida com sua afetividade, porém, sofria absurdamente depois que foi abandonada por sua companheira que nem sequer atendia ao telefone. Mulher madura e inteligente, ela não esperava que a outra mudasse de atitude até porque já havia feito todas as tentativas neste sentido e nada tinha adiantado. Como entendia que esse fato não era uma novidade em sua vida, pois já tinha acontecido algo semelhando num relacionamento anterior, queria ver o que estava preso em Vidas Passadas.Expliquei que nem sempre podemos direcionar a sessão e que era importante justamente deixar a energia fluir, pois é na fluidez que acontece a cura, quando abrimos mão do nosso jeito de ver a vida para dar espaço a uma nova forma de viver.A sessão mostrou uma vida como amazonas, na qual minha cliente teve que enfrentar a ausência da companheira que quis ter um filho. Quando a criança nasceu a outra abandonou tudo e foi viver com o pai da criança... Ela se sentiu preterida, diminuída e com muita raiva. Tocou sua vida por que era uma guerreira, mas não limpou este trauma. Sentiu-se traída pela outra porque acreditara que viveriam juntas, companheiras para sempre. Não aceitou que a outra pudesse mudar de idéia e guardou o sentimento de inferioridade frente à escolha da parceira dentro do seu coração.
As vidas que se seguiram mostravam sempre o mesmo padrão, um sentimento de inferioridade, carência afetiva e um imenso desejo de fazer tudo para agradar e seduzir o outro. Essa tendência era tão forte que Esther é hoje uma mulher super organizada, até meio perfeccionista com seus compromissos. Com isso, ela se tornou também bastante exigente no convívio.Voltando da sessão, ela me disse que tinha feito tudo para a companheira e que não entendia a reação da outra, mas que entendia que tudo tinha um limite e quando a outra pediu para morar junto ela recusou.
"Mas por que você não quis morar com sua namorada?""Bom, Maria Silvia, achei que estava me doando demais e fiquei com medo que ela me usasse. Achei que ela queria que eu bancasse coisas demais na vida dela. Fiquei com medo de não receber nada em troca".
Claro que a atitude da Esther é compreensível porque todos nós esperamos coisas das pessoas. Esperamos reconhecimento, gratidão, entendimento e ajuda, e geralmente esse retorno não vem das pessoas que ajudamos, que amamos. Às vezes, a vida dá uma grande volta até nos oferecer coisas boas, mas a vida espiritual ensina que uma hora os ventos sopram a nosso favor. No caso em questão, Esther fechou o fluxo e depois se ressentiu com o resultado. Mas o que fazer se ela achou que ali estava o seu limite na doação? Cada um sabe das suas possibilidades.Estender a mão deve ser um ato consciente de oferecer sem esperar a troca porque essa espera pode ser muito frustrante. Então, se damos algo a alguém, que façamos porque podemos, sem doar para seduzir o outro a gostar de nós. Damos porque temos em abundância, porque essa história de ser bonzinho só para ficar bem na foto é uma forma falida de arrumar a felicidade.Vamos estender a mão quando de fato estivermos conectados com a fonte divina. Vamos ouvir o outro quando tivermos vontade, tempo e disposição. Vamos ajudar o amigo, irmão, namorado quando pudermos e, se não estivermos disponíveis, vamos dizer "não" sem medo de magoar. Porque é melhor a gente ser honesto e conviver com as nossas escolhas do que deixar a vida nos levar e ficar com raiva de ver onde chegamos.Que estender a mão seja tão fácil quanto acenar com ela uma despedida...

sábado, 24 de janeiro de 2009

BBB9 - O ABSURDO


Vai começar mais um famigerado e ‘esperado’ Big Brother Brasil. Acredite se quiser já estamos na nona - NONA?!?! - edição. O BBB divide opiniões, uns amam desesperadamente outros odeiam até a morte, eu sinceramente estou no meio. Apesar de achar uma grande duma palhaçada, simplesmente não consigo perder. Vou tentar explicar, reality shows por sí só - nem todos - são interessantes, já que na teoria você vê um bando de desocupado fazendo coisas que não fariam no dia-a-dia para o seu - nosso - bel prazer. Além é claro do fator principal do sucesso do BBB no Brasil: a putaria. Vai me dizer que não é isso? Um bando de gostosas de biquíni (leia-se potenciais e prováveis capas de playboy) e para as meninas um bando de rato de academia sem camisa - tirando é claro, nesta edição, os concorrentes da 3ª idade. Apesar é claro de que no Brasil - um país tããããão recatado, de boas famílias e muito muito ‘liberal’ - não rola putaria de verdade. Em outros BB’s por aí, galera tira a roupa, faz orgia, e a tv mostra. Aqui mal mal liberam um peitinho, e agradeça a internet para vc ver.
A parte chata são as pessoas de merda que eles colocam lá, leia Marcelo “Eu sou gay”, Solange Iarnuou, Tati Retardada Bioni e tantos outros que eu não me lembro. O raiva que dá viu, nussa mãe. Isso é claro é o que eles querem, mas os malditos aaaaa os malditos que votam nunca escolhem quem você quer que saia para sair. Deixam lá para te irritar, só pode. Outro problema, que graças a Deus a globo resolveu foi aquela merda de pobre entrar no programa. Era um maldito pobre - lavadeira, babá, pedreiro, motoboy e afins - entrar no programa e pronto! No mínimo, no mínimo ia para a final. Por que? Oras porque o coitado precisa. Vão para o inferno, quem aí não precisa de 1 milhão de reais? Nada contra mas eu prefiro deixar 1 milhão para quem pelo menos vai saber o que fazer com ele do que distribuir para a parentada e torrar tudo em questão de meses.
No mais, sempre sabemos o que vai acontecer. A globo vai editar da maneira que ela quiser para favorecer quem ela quiser. Vamos ter o vilão, o bonzinho, a puta, a santinha, a desgraçada, o esperto, o que ‘analiza’ o jogo, o que não joga, o que joga, o que fala bonito, o que não sabe falar, o inteligente, o negro, a chata, o chato, a bichinha, a bixona, algum-maldito (a) que só vai falar em Deus. Apesar de tudo isso, eu irei assistir…todo mundo vai assistir, eu pelo simples motivo de esperar uma briga de verdade, uma putaria da boa. Mas é claro que isso não deve acontecer, lá dentro são todos gente boas, amigos, não jogam, fiéis a Deus, quase da pena. Coitadinhos. Eu falo que eu daria tudo por umas férias de 3 meses sem fazer merda alguma e ainda por cima concorrer a um milhão.
Para quem odeia, olha…você vai ver big brother na televisão, principalmente a RedeTV! Que simplesmente tem orgasmos-corporativos múltiplos quando tem BBB, já que a programação se tranforma em “Bastidores do BBB”. Sônia Abrão vai ter pauta para 3 meses - nem vai precisar falar ao vivo com sequestrador-assassino nenhum, olha só - Nelson Rubens vai ficar louquinho da vida, dando notícias como “Fulana tomou leite com toddy três vezes antes de dormir e depois…dormiu!”. Luciana Gimenez então…nem se fala, eu já imagino ela falando “Hoje temos aqui o cachorro do fulano do BBB9!”.
Você acha que a blogosfera - incluindo este blog, por favor - vai estar fora dessa? Ahahaha, nem tente, 90% dos blogs com conteúdo, sem conteúdo (¬¬) e vira-latas e pop’s, iram se esbaldar com o novo Big Brother Brasil. De algum jeito ou de outro, acredito que todos irão falar. Nem que seja uma notinha de rodapé.
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Teatro


A Origem e Evolução do Teatro
A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que acreditava-se no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas etc), ainda possuindo também caráter de exorcização dos maus espíritos. Portanto, o teatro em suas origens possuía um caráter ritualístico.Com o desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto, inicialmente com as canções dionisíacas (ditirambos).A tragédia, em seu estágio seguinte, se realizou com a representação da primeira tragédia, com Téspis. A introdução de segundos e terceiros atores nas tragédias veio com Ésquilo e Sófocles. Surgiu também a peça satírica: o conservador Aristófanes cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois a comédia aristofânica mesclava a paródia mitológica com a sátira política. Todos os papéis eram representados por homens, pois não era permitida a participação de mulheres.Os escritores participavam, muitas vezes, tanto das atuações como dos ensaios e da idealização das coreografias. O espaço utilizado para as encenações, em Atenas, era apenas um grande círculo. Com o passar do tempo, grandes inovações foram sendo adicionadas ao teatro grego, como a profissionalização, a estrutura dos espaços cênicos (surgimento do palco elevado) etc. Os escritores dos textos dramáticos cuidavam de praticamente todos os estágios das produções.Nesse mesmo período, os romanos já possuíam seu teatro, grandemente influenciado pelo teatro grego, do qual tirou todos os modelos. Nomes importantes do teatro romano foram Plauto e Terêncio. Roma não possuiu um teatro permanente até o ano de 55 a.C., mas segundo é dito, enormes tendas eram erguidas, com capacidade para abrigarem cerca de 40.000 espectadores.Apesar de ter sido totalmente baseado nos moldes gregos, o teatro romano criou suas próprias inovações, com a pantomima, em que apenas um ator representava todos os papéis, com a utilização de máscara para cada personagem interpretado, sendo o ator acompanhado por músicos e por coro.Com o advento do Cristianismo, o teatro não encontrou apoio de patrocinadores, sendo considerado pagão. Desta forma, as representações teatrais foram totalmente extintas.O renascimento do teatro se deu, paradoxalmente, através da própria igreja, na Era Medieval. O renascimento do teatro se deveu à representação da história da ressurreição de Cristo. A partir deste momento, o teatro era utilizado como veículo de propagação de conteúdos bíblicos, tendo sido representados por membros da igreja (padres e monges). O teatro medieval religioso entrou em franco declínio a partir de meados do século XVI.Desde o século XV, trupes teatrais agregavam-se aos domínios de senhores nobres e reis, constituindo o chamado teatro elisabetano. Os atores - ainda com a participação exclusiva de atores homens - eram empregados pela nobreza e por membros da realeza. O próprio Shakespeare, assim como o ator original de Otelo e Hamlet, Richard Burbage, eram empregados pelo Lorde Chamberlain, e mais tarde foram empregados pelo próprio rei.Na Espanha, atores profissionais trabalhavam por conta própria, sendo empresariados pelos chamados autores de comédia. Anualmente, as companhias realizavam festivais religiosos, e sobretudo no século XVII, as representações nas cortes espanholas encontravam-se fortemente influenciadas pelas encenações italianas. Os nomes mais proeminentes deste período (a chamada idade de ouro do teatro espanhol) foram Calderon de La Barca e Lope de Vega.Foi mais notadamente na Itália que o teatro renascentista rompeu com as tradições do teatro medieval. Houve uma verdadeira recriação das estruturas teatrais na Itália, através das representações do chamado teatro humanista. Os atores italianos deste, basicamente, eram amadores, embora já no século XVI tenha havido um intenso processo de profissionalização dos atores, com o surgimento da chamada "Commedia Dell'Arte", em que alguns tipos representados provinham da tradição do antigo teatro romano: eram constantes as figuras do avarento e do fanfarrão.Devido às muitas viagens que as pequenas companhias de Commedia Dell'Arte empreendiam por toda a Europa, este gênero teatral exerceu grande influência sobre o teatro realizado em outras nações. Um dos aspectos marcantes nesse teatro foi a utilização de mulheres nas representações, fato que passou a se estender para os outros países.No século XVII, o teatro italiano experimentou grandes evoluções cênicas, muitas das quais já o teatro como atualmente é estruturado. Muitos mecanismos foram adicionados à infra-estrutura interna do palco, permitindo a mobilidade de cenários e, portanto, uma maior versatilidade nas representações.Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer parte das atuações teatrais na Inglaterra a na França. Na Inglaterra, os papéis femininos eram antes representados por jovens atores aprendizes. Na França, uma das atrizes que outrora havia sido integrante do grupo de Molière passou a fazer parte do elenco das peças de Racine. Therese du Parc, conhecida depois como La Champmesle, foi a atriz que primeiro interpretou o papel principal de Fedra, da obra de Racine, tornando-se então uma das principais atrizes da chamada "Commedie Française".No Brasil, o teatro tem sua origem com as representações de catequização dos índios. As peças eram escritas com intenções didáticas, procurando sempre encontrar meios de traduzir a crença cristã para a cultura indígena. Uma origem do teatro no Brasil se deveu à Companhia de Jesus, ordem que se encarregou da expansão da crença pelos países colonizados. Os autores do teatro nesse período foram o Padre José de Anchieta e o Padre Antônio Vieira. As representações eram realizadas com grande carga dramática e com alguns efeitos cênicos, para a maior efetividade da lição de religiosidade que as representações cênicas procuravam inculcar nas mentes aborígines. O teatro no Brasil, neste período, estava sob grande influência do barroco europeu.Ao cabo do século XVIII, as mudanças na estrutura dramática da peças foram reflexo de acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Surgiram formas como o melodrama, que atendia aos gosto do grande público. Muitos teatros surgiram juntamente com esse grande público.No século XIX as inovações cênicas e infra-estruturais do teatro tiveram prosseguimento. O teatro Booth de Nova York já utilizava os recursos do elevador hidráulico. Os recursos de iluminação também passaram por muitas inovações e experimentações, com o advento da luz a gás. Em 1881, o Savoy Theatre de Londres foi o primeiro a utilizar iluminação elétrica.Os cenários, assim como o figurino, procuravam reproduzir situações históricas com um realismo bastante apurado. As sessões teatrais, em que outrora encenavam-se várias peças novas ou antigas, foram passando a ser utilizadas apenas para a encenação de uma peça. Todas as inovações pelas quais o teatro foi passando exigiram o surgimento da figura do diretor, que trata de todos os estágios artísticos de uma produção.Ao final do século XIX uma série de autores passaram a assumir uma postura de criação bastante diversa da de seus predecessores românticos, visando a arte como veiculo de denúncia da realidade. Escritores como Henrik Ibsen e Emile Zola foram partidários dessa nova tendência, cada qual com sua visão particular.O teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela grande quebra de antigas tradições. O "design" cênico, a direção teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpretação não se vincularam a um único padrão predominante. Entretanto, pode-se dizer que as idéias de Bertolt Brecht foram as que mais influenciaram o teatro moderno. Segundo dizia Brecht , o ator deve manter-se consciente do fato que esta atuando e que jamais pode emprestar sua personalidade ao personagem interpretado. A peça em si, por sua vez, assim como a mensagem social nela contida, deveria ser o supremo objeto de interesse. Para tanto, os espectadores deveriam ser constantemente lembrados que estão vendo uma peça teatral e que, portanto, não identifiquem os personagens como figuras da vida real, pois neste caso a emoção do espectador obscureceria seu senso crítico.Dado o seu temor no caso dos atores mostrarem-se incapazes de desempenhar os papéis com tanta imparcialidade, Brecht utilizou vários recursos que libertariam as encenações de quaisquer ilusões de realidade que poderiam ser criadas nas mentes dos espectadores. A cenografia se dirigia a muitos efeitos não-realísticos, assim como as próprias atividades de mudança de palco podiam ser vistas pelo público. No teatro contemporâneo tanto as tradições realistas como as não-realistas convivem simultaneamente.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cinema e Psicanálise



Cinema e Psicanálise
Por Juliana Psaros*
Acaso ou não, o Cinema e a Psicanálise tiveram seu nascimento praticamente ao mesmo tempo. O final do século XIX, apresentava à humanidade duas formas distintas, porém de alguma maneira bastante semelhantes, de articular o universo científico ao irracional, mágico, o universo da fantasia. Se por um lado o Cinema se utilizava de novas tecnologias ópticas para ampliar o olhar, para operar no universo do fantástico, para construir uma ilusão encantadora, por outro a Psicanálise passava a criar um olhar para ver o que há dentro, observar além do corpo, procurava então desvendar a alma humana, olhar para o que há de irracional dentro do homem, dar-lhe nome, enfim, construir um olhar científico ao que não opera logicamente. Ambas então nascem desse curioso paradigma, muito presente nesse período histórico, da união da ciência e da irracionalidade.Sabe-se que a relação que Freud teve com a então novidade cinematográfica foi um tanto silenciosa. Ao contrário dos atuais psicanalistas Freud não via, ou via com maus olhos, a relação Cinema & Psicanálise. O rompimento desse silêncio se deu justamente para criticar a dita relação, quando o Cinema procurava aproximar-se dela; Samuel Goldwin chegou a oferecer-lhe uma grande quantia em dinheiro pedindo autorização para realizar um filme sobre a psicanálise, o que não foi aceito por Freud; o cineasta Pabst buscou também se aventurar por essas questões e contou com a colaboração de dois de seus discípulos (Hanns Sachs e Karl Abraham) para a elaboração do filme Segredos de uma alma (1926), o que gerou entre Freud e seus discípulos um grande embate. Para Freud a linguagem das imagens cinematográficas jamais conseguiriam representar conceitos tão abstratos como os da Psicanálise. Tal olhar para o Cinema nos mostra um Freud um tanto platônico, acreditando que a "idéia" ou a relação com os conceitos abstratos se dá necessariamente pela linguagem verbal, o que permanece ainda hoje na maioria dos processos da psicanálise clínica onde a comunicação psicanalista & paciente se dá fundamentalmente pela linguagem verbal e sua interpretação, também verbal.Em relação a produção cinematográfica, o diálogo Cinema & Psicanálise está presente desde os seus primórdios. As obras de Meliés que diante de um breve olhar nos parecem nada mais que extraordinários efeitos especiais e histórias fantásticas estão repletas de conteúdo psicanalítico. Não se trata de questionar uma intenção racional para isso, aliás, poderíamos afirmar que tratando-se de arte, o diálogo criador & observador se dá entre mundos inconscientes, racionalizados pela técnica artística e pelo olhar, mas substancialmente construídos a partir do universo do inconsciente e reabsorvidos pelo observador/espectador a partir do mesmo. De maneira mágica e fantasiosa Meliés constrói um jogo de mostrar enquanto oculta, porém de uma maneira que as estruturas da psique compreendem muito bem. Pierre Jenn em seu texto "Le cinéma selon Georges Meliés" observa uma passagem curiosa no filme "Eclipse de soleil en pleine lune" (1907), quando o sol passa por detrás da lua e, digamos, ambos se envolvem em gozo sexual; ao mesmo tempo o astrônomo que observa o "eclipse" inclina-se para observar melhor a cena, não bem apenas o eclipse puro, e cai pela janela. Jenn observa que o sol e a lua seriam "metamorfoses do pai e da mãe", praticando o "coito" e o astrônomo "espiando pelo seu telescópio (versão transformada desse instrumento emblemático da escopofilia: o buraco da fechadura), não está revivendo nesse pequeno filme o fantasma da cena primitiva, essa cena que se passa en pleine lune, como diz o título?" Aliás, o Cinema não é muitas vezes ele próprio "o buraco da fechadura"? Meliés mostrava, numa linguagem que o inconsciente capta, aquilo que de fato não poderia ser mostrado naquela ocasião. Meliés mostrava as caras do desejo mascarando-as.Se Freud absteve-se de qualquer comentário reflexivo em relação ao Cinema o mesmo não ocorreu com todos os psicanalistas da época. Lou Andreas Salomé (discípula de Freud, mulher de Rilke, amor de Nietzsche, mas tudo isso não vem ao caso) em 1913 já escrevia que " a técnica cinematográfica é a única que permite uma rapidez de sucessão de imagens que corresponde mais ou menos às nossas faculdades de representação". A partir da frase de Salomé adentremo-nos às similaridades presentes entre o paradigma cinematográfico e o psicanalítico. Freud, apesar de sua posição distante em relação ao Cinema, inevitavelmente faz com que o aproximamos muito dele quando ele explica o sonho. Para Freud o sonho é composto por imagens produzidas pelo inconsciente que contam a história do desejo do sonhador. Durante o sonho o sujeito não consegue discerni-lo da realidade, o que para Freud se dá devido ao fato de que todo o nosso sistema motor está momentaneamente paralisado. Mais claramente Freud explica que realizamos a distinção entre as "representação mentais" e a "percepção" através da ação (motora). Se através dela podemos alterar a realidade trata-se então de uma percepção, logo real, ao passo que, se não a podemos trata-se de uma representação mental, logo fruto do interior do corpo, portanto não real; a esse mecanismo Freud denomina "prova de realidade". Durante o sonho o indivíduo encontra-se momentaneamente paralisado, portanto incapaz de realizar tal prova.Vejamos...Ao assistir a um filme no cinema o espectador está de certa maneira muito próximo dessa situação sonho; seu corpo encontra-se geralmente entregue à poltrona, o silêncio é absoluto (ou espera-se que o seja), a escuridão e toda a estrutura espacial do ambiente o impelem ao mergulho na tela de luz (ou será de sombras?). A experiência do cinema, ou a "situação cinema" (termo cunhado por Hugo Mauerhofer) em muito se aproxima da "situação sonho" citada acima, claro que, ao contrário do sonho, o indivíduo sabe que aquilo não é real, mas por alguns instantes evita e muitas vezes consegue não sabê-lo (apesar de que por outro lado essa relação ilusão x realidade colabora ainda mais para a intensidade da experiência do cinema, pois sabendo que o que se passa na tela não é real se sente livre para vivê-lo como assim o fosse sendo que dessa maneira não sofre as eventuais consequências da realidade, como acontece também muitas vezes no sonho). Também sabe que pode sair dali a qualquer momento, não está paralisado como no sonho, portanto incapaz de realizar a "prova de realidade", mas mesmo assim sugestiona-se paralisado, pretende-se dessa maneira, e, sem dúvida, realiza algo muito próximo ao sonho; não se pode dizer que a experiência do cinema exista plenamente no estado de vigília, e deixar de perceber que ela opera de maneira bastante semelhante ao mecanismo do sonho.Como no sonho o espectador se envolve na trama tanto no papel de observador como de observado, pode tanto assumir a subjetividade da câmera quanto a de um ou mais personagens, a linguagem cinematográfica propicia tal identificação através dos diferentes planos, ou seja, além de toda a atmosfera criada no espaço-cinema, o espaço-fílmico também induz o indivíduo a vivenciar a "situação cinema" de maneira profundamente real e ao mesmo tempo (e também por isso) onírica. A experiência do cinema está entre o observar o outro pelo "buraco da fechadura" e o se observar através do outro (projeção). Curioso é que o sonho para a psicanálise se dá de maneira bastante semelhante. Muitas vezes no sonho somos aquele que observa, ou somos dentro de outro alguém ou algo, podemos no mesmo sonho ser agente, objeto e observador, o que ao olhar da psicanálise irá sempre representar o Eu do sonhador, mascarado por seu inconsciente, porém sempre se referindo ao indivíduo, sendo sempre ele quem desempenha o papel principal. A mesma multiplicidade de perspectivas se dá no filme, diante a sua variabilidade de ângulos, o olhar da câmera, o plano subjetivo, permitindo ao espectador "assujeitar-se" em inúmeras possibilidades.Claro que esse sonho-cinema se apresenta aos olhos abertos dos seus espectadores e não durante o sono, quando eles estão fechados; apesar de tudo o que já foi dito quando estamos diante da "situação cinema" estamos seguramente acordados e próximos do nosso universo racional, e portanto, nesse sentido, tal situação difere do sonho. Porém, quando tomamos consciência que estamos sonhando? Quando atribuímos significado às imagens do nosso inconsciente? Seguramente não durante o sonho. É justamente no estado de vigília, quando o consciente, segundo a psicanálise, desperta e impera sobre o inconsciente que podemos saber que estávamos sonhando, e portanto somente a partir daí que o sonho passa a existir; uma exemplificação banal desse fato se dá ao sabermos que seguramente sonhamos todas as noites e nem por isso ao despertar temos a lembrança dos nossos sonhos, estes permanecem no universo do inconsciente e não temos acesso, pelo menos não de maneira consciente, a eles. Ou seja, a relação que estamos estabelecendo aqui entre "situação cinema" e "situação sonho" se constrói da maneira que podemos nos relacionar com eles, ou seja, através da intermediação do consciente.Lou Andreas Salomé também afirmou que "o futuro do filme poderá contribuir muito para a nossa constituição psíquica". Certamente o Cinema contribui para isso, de uma maneira muitas vezes assustadora. Felix Guattari afirma em seu texto "O divã do pobre" que "o cinema transformou-se numa gigantesca máquina de controlar a libido social". A indústria cinematográfica realmente exerce uma "docilização" das massas surpreendente, certamente maior que as escolas, as fábricas, os manicômios, enfim maior que todas as "instituições totais" assim chamadas por Foucault, que curiosamente têm o seu nascimento, ou racionalização, no mesmo período que o cinema. A eficiência do controle social através do cinema casa perfeitamente com a lógica capitalista, pois trata de "domesticar" as massas sem realizar qualquer confronto, ou melhor, realiza o controle através da venda barata de sonhos, comportamentos, objetivos, modelos, e, principalmente, desejos. É como se ao invés de nos projetarmos na tela ela se projetasse sobre nós; podemos até afirmar que hoje o cinema não só contribui, mas que muitas vezes constrói a nossa constituição psíquica. O desejo então encontra-se configurado, embalado, coletivizado, e, controlado.Certamente, o Cinema hoje é o nosso grande criador de mitos coletivos, e todos os processos descritos nesse texto que propiciam ao espectador uma experiência muito mais que visual contribuem para isso. A indústria cinematográfica tem construído uma, por que não, cosmologia um tanto questionável, onde os mitos individuais devem enquadrar-se nos mitos construídos arbitrariamente pelos valores dominantes, que não correspondem as necessidades e desejos psicossociais de cada indivíduo. Porém, por o cinema dialogar de maneira tão profunda com a nossa constituição psíquica pode ser um grande modificador dos paradigmas que ele ajudou a estabelecer. A partir disso, construiria então um novo paradigma? Qual critério poderia se utilizar para saber se esse novo seria melhor ou pior? Não se criariam novos estereótipos, portanto novos modelos, novos mitos coletivos que se sobreporiam aos individuais? Talvez a criação de modelos seja algo humano...demasiado humano, e o cinema apenas ocupe em nossa sociedade o papel que já foi dos poetas, dos anciões, e de tantos outros que pela a história passaram transmitindo os mitos de uma cultura.Acaso ou não, Cinema e Psicanálise nasceram no mesmo período e me parece que seguiram e seguirão suas trajetórias dialogando incessantemente.*Juliana Psaros é aluna de cinema da FAAPData de publicação: 05/08/2002

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Fênix



Mitologia grega. Origem egípcia, partindo-se do nome da ave Benu, espécie de “garça real”.
O primeiro escritor da Hélade a falar dessa ave foi Heródoto, que afirma não tê-la visto, a não ser em pintura, mas acrescenta que a mesma visitava o Egito somente a cada quinhentos anos, segundo os habitantes de Heliópolis.
Trata-se de uma ave fabulosa, originária da Etiópia, mas cujo mito está relacionado, no país dos faraós, com o culto de Ra-Herakheit, isto é, o Sol vivo.
Após Herodoto, poetas, mitógrafos e astrólogos apoderaram-se de Fênix, cuja plumagem era uma combinação de vermelho, azul-claro, púrpura e ouro, embora o historiador grego, na passagem supracitada, só mencione as asas que possuíam a cor do ouro e adianta que as outras penas refletiam um vermelho muito intenso.


De porte imponente como a águia, era a única ave existente de sua espécie, não podendo, assim, reproduzir como as demais. O mito, por isso, centrou-se em sua morte e renascimento.
Sentindo que o fim era eminente, Fênix reunia plantas aromáticas, incenso, amomo e formava uma espécie de ninho. Os mitógrafos introduziram duas versões a partir desse ponto.
Uns asseveram que ela mesma põe fogo em sua pira perfumada ou a incendeia com seu próprio calor, renascendo das cinzas uma nova Fênix.
Outros são pouco mais prolixos. Deitando-se no ninho, deixa cair sobre ele seu sêmen e morre.
Da semente depositada nasce a nova Fênix. Esta escolhe o cadáver paterno e guarda-o num tronco oco de mirra. Transporta-o, em seguida, para Heliópolis, onde é cremado sobre o altar de Ra, o Sol. Era a única oportunidade em que ela visitava o Egito, o que acontecia a cada quinhentos anos, como se frisou.
Sua chegada a Heliópolis era triunfal. Sobrevoava majestosamente a cidade , escoltada por um bando de aves, que lhe prestavam homenagem. Pairava sobre o alto do Deus Ra e aguardava a aproximação de um sacerdote, que a comparava com a pintura existente nos livros sagrados e só então o tronco de mirra era solenemente cremado.
Terminada a cerimônia, a nova Fênix retornava a Etiópia, onde se alimentava de pérolas de incenso até o cumprimento de um novo ciclo de morte e renascimento.
Os astrólogos relacionaram o ciclo cronológico de Fênix com a grande revolução sideral, que se repetia a cada renascimento da ave aurirrubra da Etiópia.
Símbolo da regeneração e da vida, Fênix é a montaria dos imortais. Tradução de um desejo inconteste de sobrevivência e de ressurreição, a mais bela das aves é o triunfo da vida sobre a morte.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A Solidão Amiga.



A solidão amiga.

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão... Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida. Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida. Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim. Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: “Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.!“ Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão: “Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes. Ali as palavras e os tempos poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“ E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“ Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta. E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond: “...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“ Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha. O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão... A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira. Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz. (Correio Popular, 30/06/2002).

Rubem Alves.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Última Pedra?


A última pedra
Roberto Shinyashiki

Gosto de uma música que Frank Sinatra costumava cantar, My way.
O curioso é que só fui prestar atenção na letra dessa canção quando escrevia este texto.
Ela diz mais ou menos assim:
“Se eu acertei ou se errei, fiz isso da minha maneira”.

Quando olho para trás, percebo que fiz muitas bobagens.
Acertei bastante, mas também errei bastante.
Quando olho para diante, tenho certeza de que vou acertar e errar bastante também.
É impossível acertar sempre.
Mas o importante é que não gastemos nosso tempo nem nossa energia nos torturando.
A autocrítica pelo que não deu certo, além de ser nociva para a saúde, faz que a gente perca os passarinhos que a vida nos oferece no presente.

Um dia destes, um dos meus filhos me perguntou por que eu tomei determinada decisão estúpida tempos atrás.
Respondi que me arrependia do que tinha feito, mas expliquei que, naquele momento, minha atitude me parecia lógica.
Se eu tivesse o conhecimento e a maturidade de hoje, certamente a decisão seria diferente.
Por isso é que lhe digo: não se torture por algo que não deu certo no passado.
Talvez você tenha escolhido a pessoa errada para casar.
Talvez tenha saído da melhor empresa onde poderia trabalhar.
Talvez tenha mandado uma filha grávida embora de casa.
Não importa o que você fez, não se torture.

Apenas perceba o que é possível fazer para consertar essa situação e faça.
Se você sente culpa, perdoe-se.
E, principalmente, compreenda que agiu assim porque, na ocasião, era o que achava melhor fazer.
Há uma história de que gosto muito: um pescador chegou à praia de madrugada para o trabalho e encontrou um saquinho cheio de pedras.
Ainda no escuro começou a jogar as pedras no mar.
Enquanto fazia isso, o dia foi clareando até que, ao se preparar para jogar a última pedra, percebeu que era preciosa!
Ficou arrependido e comentou o incidente com um amigo que lhe disse:
– Realmente, seria melhor se você prestasse mais atenção no que faz, mas ainda bem que sobrou a última pedra!

Existem pessoas que não prestam atenção no que fazem e depois passam a vida inteira arrependidas pelo que não fizeram, mas poderiam ter feito, e se martirizam por seus erros.
Se você está agindo assim, deixo-lhe uma mensagem especial:
não gaste seu tempo com remorsos nem arrependimentos.
Reconheça o erro que cometeu, peça desculpas e continue sua vida.
Você ainda tem muitas pedras preciosas no coração:
muitos momentos lindos para viver e muitos erros para cometer.
Aproveite as oportunidades e curta plenamente a vida.
Curta os passarinhos.

Eles são os presentes do universo para você!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Onde Você Coloca o Sal?


ONDE VOCÊ COLOCA O SAL?

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.Ruim - disse o aprendiz.O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.Então o velho disse:- Beba um pouco dessa água. Enquanto a água corria do queixo do jovem o Mestre perguntou:- Qual é o gosto?'- Bom! disse o rapaz.- Você sente o gosto do sal? perguntou o Mestre.- Não disse o jovem.O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar m ais valor ao que você tem do que ao que você perdeu.Em outras palavras:É deixar de Ser copo para tornar-se um Lago.(Pensamento Zen-Budista).

*Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos.

"Delicadas, as Amizades"




“Delicadas, as amizades”
“Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?
Quanto de verdade suporta um amigo?
Aliás, o que é verdade?, já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?
São bem delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável. Mas amizade convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa q. ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequóias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.
(…)
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com excesso ás vezes excessivo. Claro, também às vezes se perde o amigo pela a escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela falta mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala e escreve uma coisa, o outro ouve outra cosa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio a amizade fica torta.
Diz o apóstolo, Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
_ Será assim a amizade?
(…) Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
(…)
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os q. no poder não estão. Neste caso não se pode fazer nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo.
Retornaram algum dia?
Nesse caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
(…) Qual o grau de resistência de uma amizade?
De um metal podemos dizer: derrete-se a tal qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes desmancham no ar.”
SANT” ANNA, Affonso Romano.

Procura-se Autoria.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Transformar-se...



TRANSFORMAR-SE... PARA LIBERTAR-SE!!!

por Roberto Luz - mestrerobertoluz@hotmail.com
“Dificuldade não Existe... Existe sim, a Resistência às Facilidades!!!”Quando a Vida nos brinda com a bênção de uma oportunidade de transformação, não devemos ter dúvida, nem receio, ainda mais quando estamos amparados por pessoas e Seres de Luz que irão nos apoiar amorosamente nesta caminhada em busca da Felicidade. Devemos apenas e puramente nos entregarmos de coração, com simplicidade e verdade.Transformar-se através da busca do autoconhecimento não deve significar dor e sofrer, mas sim o esforço para a libertação de tudo que ainda prende a um passado que o impede de ser Feliz plenamente. É poder olhar para os aspectos negativos, dúvidas, angústias, mágoas, decepções, medos, tristezas e encará-los com cabeça erguida e olhos abertos. É compreender a Essência Pura do Perdão, entendendo que necessário é, perdoar a si mesmo, perdoar as pessoas, perdoar a vida e tudo o que ainda mantém ligado a si, às vezes sem que perceba, por causa de situações vividas em tempos passados e em presente recente.Na transformação, nada há a temer, e sim a agradecer. A Gratidão é uma Virtude valiosíssima que nos impulsiona cada vez mais neste caminho de busca do autoconhecimento e de autocrescimento interior. É preciso sim, ter Coragem para decidir e agir, e ter Perseverança para não desviar-se do Nobre Caminho a que se propôs a seguir. Quando se quer Crescer e Ser Feliz, se faz preciso tomar uma decisão que não terá mais volta, uma vez que inicia-se o caminho da auto-transformação, um caminho que te levará à belas descobertas e a uma vida nova, repleta de Paz Interior, Harmonia e Equilíbrio Emocional, Expansão da Consciência Espiritual e Grandes Conquistas.A Vida ganha um novo brilho, uma nova ordem, um novo sentido...Então, porque resistir tanto e continuar no sofrer, na dor ou na ilusão?Você tem o livre-arbítrio para escolher. E a sua escolha, certamente, é Grande. Não no tamanho, e sim, na importância daquilo que seu Coração bem sabe, veio realizar. Que tal então, parar de ficar fugindo de si mesmo, já que é justamente agora que começa a descobrir-se... Que tal então, parar de ficar se enganando quanto ao seu Caminho se é agora que começa a despertá-lo... É claro, que a escolha depende de ti. Então que tal, que esta escolha seja o melhor para você.Porém, saiba que a melhor escolha nunca é aquela baseada ou justificada no medo, na dúvida, no conformismo que se explica dizendo que não está pronta. A melhor escolha é sempre aquela que tem base no desafio que traz novo significado à vida e que se justifica na busca de uma Felicidade expansiva, que não se limita a qualquer tipo de desculpa ou auto-sabotagem.Você, apesar de tudo, deve ser amplamente Feliz agora! Creia nisso!Olhe para si e sinta-se como a lagarta que está prestes a se tornar uma linda borboleta, mas, para que esse processo de transformação ocorra é preciso fazer a passagem pelo metamorfismo e percorrer o Caminho. Não o largo, em que muitos se encontram, e que é onde a mediocridade se faz presente limitando as pessoas e seu real poder de Ser, por se conformarem com a dor e o sofrer que impedem o seu crescer. Porém sim, seguir pelo Caminho Estreito, onde poucos estão, e é onde a Consciência de Valor Próprio e a Grandiosidade habitam e irão fortalecer o Ser e o seu Interior para que então, ganhe lindas asas coloridas como flores e possa voar rumo às conquistas de todos os seus sonhos!!!Ouse dar um passo maior! Abra suas asas e voe! Você Pode!Mudar e transformar-se exige esforço, empenho, perseverança, dedicação e humildade. E o bom, é que tudo isso pode ser feito com contentamento e prazer. É uma questão de escolha.Saiba que à medida que caminha e vá conseguindo transpor os obstáculos que impedem seu trilhar, se surpreenderá com o que encontrará em Luz em sua Jornada Terrena. Inúmeras possibilidades surgem ao mesmo tempo em que se abre para as novas perspectivas que vão surgindo, fazendo-se presentes, para ampliar a sua Consciência sobre si mesmo. Confie em sua capacidade de superação, creia na força interna que te impulsiona e só te fará caminhar, sempre para cima e para o alto, rumo à Ascensão em todos os níveis e aspectos de sua Vida.A dor, o medo, a fuga, a inércia, a culpa, a dúvida são puras ilusões. Não são reais, são tentativas de se auto-sabotar, achando que está tudo bem, conformando-se, mesmo no sofrimento, aceitando a nebulosa e escura ilusão de que tudo isso te dá uma, aparente, maior segurança.Eu sei, que sair da chamada zona de conforto incomoda, retira o aparente eixo, que esforçou-se tanto para manter. Contudo, é preciso perceber que as pessoas despendem um esforço muito maior para manter uma situação que já não agüentam mais, do que mudar o compasso da vida...Faça então a escolha certa e agora!!!Escolha por oferecer-se a oportunidade de um renascimento, de recomeçar do zero, se for o caso, libertando-se de tudo o que está interferindo na sua capacidade de realização.Não desista! Transforme-se! Você Merece!!!ATÉ SEMPRE!!!ROBERTO LUZ

O Anúncio



O ANÚNCIO:

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
-Sr Bilac, estou querendo vender meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou um papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
-Nem penso mais nisso, -disse o homem
- quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!

Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de miragens e falsos tesouros.
Valorize o que você tem, a pessoa que está ao seu lado, os amigos que estão perto de você; seu emprego, o conhecimento que você adquiriu; sua saúde; o sorriso e tudo aquilo que Deus nos proporciona diariamente em nossas vidas...
Pense nisso e tenha um dia abençoado por Deus.
Procura-se: Autoria e endereço eletrônico.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Parceira ou Inimiga?



Parceira ou inimiga?
Sempre que um novo ano se inicia é natural que repensemos nossos planos e projetos e nos preparemos para seguir em busca do que ainda não alcançamos.Realizar o que desejamos pode ser bem menos complicado se conseguirmos manter nossa mente focalizada no fato de que a vida não é nossa inimiga, ao contrário, ela pode ser uma parceira solidária na concretização de nossos sonhos.Isto naturalmente vai depender do que esperarmos da existência e da visão que tivermos a respeito de como ela nos trata. Existem aqueles que se sentem permanentemente vítimas, para os quais a vida é um algoz, sempre pronto a destruir qualquer possibilidade de felicidade que lhes surgir pela frente.Visto que a realidade é construída em grande parte por aquilo que pensamos, se mantivermos essa expectativa negativa, ela certamente se concretizará permanentemente para nós.Se, ao contrário, abraçarmos a vida com amor e procurarmos manter uma previsão sempre otimista quanto à concretização de nossos planos, podemos até ser tachados de alienados pelos pessimistas ao nosso redor, mas certamente estaremos plantando a semente para que muitas conquistas positivas frutifiquem. Para isto, é fundamental que nos mantenhamos receptivos ao que a vida tiver de bom a nos oferecer. Sem esta aceitação, os presentes que ela nos reservar poderão jamais chegar até nós, pois encontrarão a porta fechada por um coração repleto de amargura, onde apenas o sofrimento e a dor encontram abrigo.Reverter a polaridade de nossa expectativa exige, antes de tudo, o reconhecimento de que somos merecedores do melhor. Mas é igualmente imprescindível agradecer pelas bênçãos que a vida nos reservar. A gratidão é o adubo que faz crescer cada vez mais as dádivas que ela derrama sobre nós. "A existência nunca é contra vocêO segredo da total aceitação é o segredo do absoluto sucesso... Transforme cada oportunidade em algo criativo e belo. Eu não gostaria que você ficasse nessa idéia ilusória de que pode continuar permanentemente no mesmo estado mental; isso é possível apenas se você estiver morto. Se você está vivo, os climas irão mudar, as estações irão mudar; e você terá que aprender através de invernos, através de verões, através de chuvas. Você terá que passar através de todas essas estações com uma dança em seu coração, sabendo perfeitamente bem que a existência nunca é contra você.Então o que quer que ela lhe dê... pode ser amargo, mas é remédio. Pode não parecer doce no início, mas finalmente você verá que lhe proporcionou algo que apenas um único estado mental não poderia ter lhe dado.Sendo assim, o que quer que esteja acontecendo, é bom. Vá com calma. Isso não é para sempre, isso também vai mudar. Mas não faça nenhum esforço para mudar. Deixe isso com a existência. É a isto que chamo de confiança. A existência é mais sábia que você e irá proporcionar-lhe todas as oportunidades necessárias para o seu crescimento".
Autora: Elisabeth Cavalcante

Gratidão



Gratidão:

A idéia mais comum que temos a respeito da gratidão é a daquele sentimento que devemos nutrir por quem fez algo por nós, nos presenteou ou, de alguma forma, tornou nossa vida mais agradável.O conceito de gratidão vem, portanto, na maioria das vezes, associado ao de caridade. Entretanto, ele se relaciona a algo muito importante, que pode fazer toda a diferença em nossa vida.É a capacidade de enxergar em cada acontecimento o que ele carrega de bom. Mesmo que estejamos vivenciando momentos difíceis, onde nossas necessidades materiais ou afetivas não estejam sendo supridas, sempre poderemos, se estivermos dispostos, encontrar motivos para agradecer.Esta atitude determina se nossa vida será um eterno atrair de graças e bênçãos, ou uma constante comiseração, na qual desempenhamos o papel de vitimas revoltadas contra as armadilhas do destino.Cultivar a gratidão é uma forma de aceitar cada desafio como uma oportunidade de evolução e crescimento interior. Se formos capazes de enxergar a realidade com novos olhos, recebendo o que vida nos reserva sem mágoa ou inconformismo, as dificuldades decerto se resolverão mais rapidamente. As reclamações e lamúrias constantes afastam de nós qualquer possibilidade de reencontro com a paz. O importante é seguir em frente, com a confiança de que o melhor se apresentará no próximo instante. Afinal, se a vida é feita de contrastes, a um momento ruim só poderá se seguir um novo começo, pleno de conquistas e alegria.“A arte da grata aceitação Uma vida que não conhece a tristeza, as lágrimas, permanece pobre. A vida precisa conhecer uma variedade enorme de experiências para tornar-se rica. Quanto mais você conhecer diferentes aspectos da existência e ainda assim continuar inteiro e centrado, mais a sua vida se enriquecerá a cada momento, a cada dia. Olhe sempre para a vida como um processo dialético. Nesta vida, a noite traz o dia. Nesta vida, a morte traz uma nova vida. Nesta vida, a tristeza traz uma nova alegria. Nesta vida, o vazio traz um novo preenchimento. Tudo está em conexão... tudo é parte de um todo orgânico. Nós criamos os problemas por dividir as coisas. Aprenda a arte de não dividir, e simplesmente continue alerta, vigilante, apreciando o que quer que a vida lhe proporcione. Apenas lembre-se de uma coisa: aceitar tudo que a vida lhe dá. Se ela lhe dá escuridão, aprecie isso, dance sob as estrelas da noite escura, lembrando-se de que cada noite não é nada mais do que o útero para um novo alvorecer, e que cada dia irá novamente descansar na escuridão da noite. Quando é outono e as árvores ficam nuas e todas suas folhas caem, observe as velhas folhas voando ao vento, quase dançando. E as árvores, nuas, têm a sua própria beleza e, contrate com o céu; mas elas não irão continuar nuas para sempre. As velhas folhas tiveram que cair apenas parta dar lugar às novas folhas, às novas flores. A existência continua a renovar a si mesma a todo momento. Você deveria manter-se sintonizado com a existência; nunca peça por nada diferente.Esta é a raiz básica da miséria: quando é noite, você chora pelo dia; quando é dia, você chora pelo repouso da noite. Então a vida torna-se uma miséria, um inferno.Você pode torná-la um paraíso apenas por aceitar o que quer que lhe seja dado, com um coração agradecido. Não julgue se é bom ou mau. Sua gratidão transformará tudo em uma bela experiência, aprofundará sua consciência, elevará o seu amor e fará de você uma bela flor com muita fragrância.Aprenda apenas a arte de uma grata aceitação. Buda chamava a isso de filosofia do assim é; não importa o que for, aceite isso como a própria natureza da realidade. Nem mesmo imagine ir contra. Nunca vá contra a corrente; apenas siga o rio onde quer que ele o leve”.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Adolescência



Adolescência
Ter ou não ser
Amantes de novidades e ansiosos porauto-afirmação, os adolescentes sefirmam como grande força consumidora
Marina Caruso e Rita MoraesColaborou Camilo VanucchiProdução Rosana Rodini
Eles sempre acham que as mesadas, ou semanadas, não são suficientes. Fazem cara feia quando têm de abrir mão de uma balada e freqüentemente estouram a conta do celular, instrumento “indispensável” que, sem um freio orçamentário, seria trocado a cada novo lançamento. Com a tecnologia no DNA, cobiçam games e aparelhos de som de última geração. Às vezes doces, às vezes cheios de ira, temem ser os mais desprezados e insignificantes seres do mundo sem “aquela” calça ou “aquele” tênis. Essas criaturas ávidas por novidades são 33 milhões de brasileiros de dez a 19 anos – uma força consumidora que, cada vez mais, não pode ser desprezada em nenhuma campanha publicitária. Estudo realizado pela Ipsos Brasil em 2004, com 4,3 milhões de garotos e garotas de 13 a 17 anos de todas as classes sociais em nove centros urbanos, revela o potencial de compra dessa galera que faz dos shoppings e da internet seus mais concorridos espaços sociais. O estudo mostrou que 62% deles freqüentam shoppings, 43% têm celular e 20%, computador pessoal. Índices que nas classes AB sobem para 78%, 65% e 44%, respectivamente, e superam a média da população adulta, que é de 54%, 39% e 15%.
Outro estudo realizado pela Store Shopping Administração e Marketing, do Rio Grande do Sul, com 1.400 jovens de 14 a 22 anos, retrata este consumidor precoce como um bem-informado amante das vitrines. Sempre em grupos, ele vai até três vezes por semana ao shopping e se dedica a compras em média 78 minutos, gastando algo em torno de R$ 69 em cada passeio. Ele também é bom pagador: 76% paga à vista e 12% em cartão de crédito. “O IBGE indica que os 17 milhões de brasileiros com até 22 anos que já trabalham correspondem a uma renda de R$ 30 bilhões por ano. Se considerarmos o poder de influência desta moçada no orçamento familiar e as mesadas, esse montante chega a R$ 90 bilhões por ano”, explica Paulo Pretto, diretor da empresa.
Não é difícil entender essa propensão ao consumo. Conflitos inerentes a esse período de transformação fazem dos adolescentes alvos extremamente interessantes para a propaganda. Como casulos que ainda escondem o colorido das asas da futura borboleta, os adolescentes vivem talvez a fase de maior insegurança do desenvolvimento humano. O corpo, com hormônios em ebulição, desperta a atração pelo outro e uma conseqüente supervalorização da aparência, da beleza e do julgamento alheio. Eles não são mais crianças, mas ainda não viraram adultos e mesmo a meio caminho – precisam definir uma identidade. “O ser humano passa por duas grandes rupturas na vida. A primeira, na infância, com a quebra da relação simbiótica com a mãe. A segunda, na adolescência, quando é preciso se descolar da família para construir sua própria identidade. Essa busca traz a marca da urgência, porque o processo biológico avança sem volta”, explica a psicanalista Ana Olmos, especialista em crianças e adolescentes.
Tanta necessidade de auto-afirmação explica por que a garotada julga crucial ter a pulseirinha ou o videogame valorizados pelos amigos. “Trata-se do chamado ‘mecanismo de identificação projetiva’, no qual o adolescente, a partir das necessidades dos amigos, tenta justificar as suas”, diz Ana. O problema é que, além de projetiva, essa identificação se torna progressiva. “Se no começo ele diz que precisa de um celular, porque é o único na sala que não tem, depois vai dizer que seu celular é o único do grupo que não tira fotos”, completa a especialista. Cabe aos pais identificar o que, de fato, é importante e o que não passa de um capricho. Afinal, aprender a lidar com a frustração também é fundamental para o crescimento.
Nesta sede de ter para ser, os shoppings aparecem como a terra prometida. Dos 110 milhões de pessoas que circulam nos 577 shoppings espalhados pelo País, 20% são adolescentes, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings Centers (Alshop). “Eles são ótimos clientes. Diferentemente dos adultos, eles consomem sem remorsos, sem peso na consciência. Gostam de experimentar e querem estar sempre na moda, já que a apresentação é um elo de integração com a turma”, analisa o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun. Para os adolescentes, esses centros de compras são como o quintal engolido pelas grandes cidades ou a extensão dos pátios dos colégios. São tidos como locais seguros de entretenimento e lazer, onde a meninada pode passear, namorar, comer e se divertir sem que os pais fiquem desesperados com o risco da violência urbana. “O adolescente é multiligado, tem pressa de tudo, fala ao telefone, vê televisão e está plugado na internet ao mesmo tempo, mas no shopping ele fica sem pressa. O ambiente pode ser sempre igual, mas lá ele vê tudo desfilar, as vitrines trazem sempre novidades, há cinema, serviços. Há também uma pluralidade de personagens – jovens, adultos e crianças”, explica Ana Elizabeth Iwancow, professora de publicidade da Unisinos, do Rio Grande do Sul, que estudou o comportamento jovem e o shopping center em sua tese de doutorado.
As estudantes paulistanas Fernanda Borges, 17 anos, e Vivian Suzuki, também1 7, são exemplos dessa paixão adolescente pelos shoppings. Cursam o terceiro ano do ensino médio em um colégio praticamente vizinho ao Shopping MetrôSanta Cruz e, por causa da rotina, circulam pelo centro comercial quase diariamente. “Durante a semana almoçamos e passeamos por aqui. Já nos finais de semana vamos ao Shopping Ibirapuera ou ao Iguatemi”, conta Fernanda. É nessas ocasiões que as jovens costumam fazer compras. “Não dá para sair comprando todos os dias. Geralmente compramos só uma peça de roupa por semana”, completa Vivian. Para elas pode parecer pouco, mas, na contabilidade geral,não exatamente. Entre seus xodós estão as bolsas e as calças jeans. Viviantem 30, e Fernanda, 20, respectivamente.
Mas não se pode esquecer que essa meninada é fruto da sociedade na qualestá inserida. Se os próprios pais têm dificuldades de resistir ao impulso decompra, o que esperar dos adolescentes? Ao tentar estudar os hábitos dos adolescentes nos shoppings, a professora Ana deparou com uma figura batizadade adultescente. Pessoas de 30 a 45 anos, que têm inserção social de responsabilidade como outros adultos, mas mantêm estilo de vida adolescente. Adoram shoppings e roupas de grife, apesar de associar a marca à qualidade e aderem totalmente à lógica de significação dada ao consumo. “O importante nãoé o objeto em si, mas o que ele significa nas relações. O jovem busca possuir determinado item para ser igual e ao mesmo tempo diferente. Igual à turma que cobiça e diferente do grupo infantil ao qual deixou ou dos grupos de adultos comos quais se relaciona”, pontua. Para os adultescentes, os valores seguem a tão atual tônica de exaltação da beleza e da juventude. Para a psicóloga e jornalista Denise Ziliotto, organizadora do I Congresso Brasileiro de Psicologia do Consumidor, ocorrido este ano no Rio Grande do Sul, os desejos da sociedade estão depositados no ideal adolescente. “É a fase supostamente feliz por excelência porque nela seria possível viver todos os desejos sem a preocupaçãode responder por eles, como é esperado do adulto.” Ela explica ainda que essa forma de pensar e viver a vida é recente. Até meados dos anos 60, o ideal era ser adulto e adepto da contracultura. Ser eternamente jovem... quem não quer?

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A Importância do Sono



A Importância do Sono
Dra. Regeane Trabulsi Cronfli
É um total contra-senso o fato de que, num mundo em que cerca de 16 a 40% das pessoas em geral sofrem de insônia, haja aquelas que, iludidas pelos valores da sociedade industrial, esforçam-se por reduzir o número de horas de sono diário,. Com isso acreditam, provavelmente, que um corpo "treinado" para dormir menos nos permita ampliar o número de "horas úteis" do dia, mantendo o mesmo desempenho.
Pura ilusão ou, mais provavelmente, uma boa dose de ignorância sobre a importância que o sono tem no funcionamento de nosso corpo e da nossa mente.
Dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico: durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e, mesmo, a longo prazo. Estudos provam que quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes .
Alguns fatos comprovados por pesquisas podem nos dar uma idéia da importância que tem o sono no nosso desempenho físico e mental. Por exemplo, num estudo realizado pela Universidade de Stanford, EUA, indivíduos que não dormiam há 19 horas foram submetidos a testes de atenção. Constatou-se que eles cometeram mais erros do que pessoas com 0,8 g de álcool no sangue - quantidade equivalente a três doses de uísque. Igualmente, tomografias computadorizadas do cérebro de jovens privados de sono mostram redução do metabolismo nas regiões frontais (responsáveis pela capacidade de planejar e de executar tarefas) e no cerebelo (responsável pela coordenação motora). Esse processo leva a dificuldades na capacidade de acumular conhecimento e alterações do humor, comprometendo a criatividade, a atenção, a memória e o equilíbrio.
O sono e os hormônios
A longo prazo, a privação do sono pode comprometer seriamente a saúde, uma vez que é durante o sono que são produzidos alguns hormônios que desempenham papéis vitais no funcionamento de nosso organismo. Por exemplo, o pico de produção do hormônio do crescimento (também conhecido como GH, de sua sigla em inglês, Growth Hormone) ocorre durante a primeira fase do sono profundo, aproximadamente meia hora após uma pessoa dormir.
As Fases do Sono
Fase 1
Melatonina é liberada, induzindo o sono(sonolência)
Fase 2
Diminuem os ritmos cardíaco e respiratório, (sono leve) relaxam-se os músculos e cai a temperatura corporal
Fases 3 e 4
Pico de liberação do GH e da leptina; cortisol começa (sono profundo) a ser liberado até atingir seu pico, no início da manhã
Sono REM
Sigla em inglês para movimento rápido dos olhos, é o pico da atividade cerebral, quando ocorrem os sonhos. O relaxamento muscular atinge o máximo, voltam a aumentar as freqüências cardíaca e respiratória
Qual é o papel do GH? Entre outras funções, ele ajuda a manter o tônus muscular, evita o acúmulo de gordura, melhora o desempenho físico e combate a osteoporose. Estudos provam que pessoas que dormem pouco reduzem o tempo de sono profundo e, em conseqüência, a fabricação do hormônio do crescimento.
A leptina, hormônio capaz de controlar a sensação de saciedade, também é secretada durante o sono. Pessoas que permanecem acordadas por períodos superiores ao recomendado produzem menores quantidades de leptina. Resultado: o corpo sente necessidade de ingerir maiores quantidades de carboidratos.
Com a redução das horas de sono, a probabilidade de desenvolver diabetes também aumenta. A falta de sono inibe a produção de insulina (hormônio que retira o açúcar do sangue) pelo pâncreas, além de elevar a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, que tem efeitos contrários aos da insulina, fazendo com que se eleve a taxa de glicose (açúcar) no sangue, o que pode levar a um estado pré-diabético ou, mesmo, ao diabetes propriamente dito. Num estudo, homens que dormiram apenas quatro horas por noite, durante uma semana, passaram a apresentar intolerância à glicose (estado pré-diabético).
Mas qual é a quantidade ideal de horas de sono? Embora essa necessidade seja uma característica individual, a média da população adulta necessita de 7 a 8 horas de sono diárias. Falando em crianças, é especialmente importante que seja respeitado um período de 9 a 11 horas de sono, uma vez que, quando elas não dormem o suficiente, ficam irritadiças, além de terem comprometimento de seu crescimento (devido ao problema já mencionado sobre a diminuição do hormônio do crescimento), do aprendizado e da concentração.
É na escola que os primeiros sintomas da falta de sono são percebidos. O desempenho cai e a criança pode até ser equivocadamente diagnosticada como hiperativa, em função da irritabilidade e de sua dificuldade de concentração, conseqüentes da falta do sono necessário. É no sono REM, quando acontecem os sonhos, que as coisas que foram aprendidas durante o dia são processadas e armazenadas. Se alguém, adulto ou criança, dorme menos que o necessário, sua memória de curto prazo não é adequadamente processada e a pessoa não consegue transformar em conhecimento aquilo que foi aprendido. Em outras palavras: se alguém - adulto ou criança - não dorme o tempo necessário, tem muita dificuldade para aprender coisas novas.
Riscos provocados pela falta de sono a curto prazo: cansaço e sonolência durante o dia, irritabilidade, alterações repentinas de humor, perda da memória de fatos recentes, comprometimento da criatividade, redução da capacidade de planejar e executar, lentidão do raciocínio, desatenção e dificuldade de concentração.
Riscos provocados pela falta de sono a longo prazo: falta de vigor físico, envelhecimento precoce, diminuição do tônus muscular, comprometimento do sistema imunológico, tendência a desenvolver obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e gastro-intestinais e perda crônica da memória.
Conselhos para Dormir Melhor
À noite, procure comer somente alimentos de fácil digestão e não exagerar nas quantidades Evite tomar café, chás com cafeína (como chá-preto e chá-mate) e refrigerantes derivados da cola, pois todos são estimulantes ("despertam").
Evite dormir com a TV ligada, uma vez que isso impede que você chegue à fase de sono profundo.
Apague todas as luzes, inclusive a do abajur, do corredor e do banheiro
Vede bem as janelas para não ser acordado(a) pela luz da manhã
Não leve livros estimulantes nem trabalho para a cama
Procure usar colchões confortáveis e silenciosos
Tire da cabeceira o telefone celular e relógios
Tome um banho quente, de preferência na banheira, para ajudar a relaxar, antes de ir dormir
Procure seguir uma rotina à hora de dormir, isso ajuda a induzir o sono
A Autora
Dra. Regeane Trabulsi Cronfli, médica formada pela Faculdade de Medicina da USP, especialista em Endocrinologia e Metabologia. Tel. (11)3862-9351.
Cortesia de Árvore do Bem
Publicado em 31.Dezembro.2002 Copyright 2002 Universidade Estadual de Campinas Revista Cérebro & Mente Núcleo de Informática BIomédica