segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"Delicadas, as Amizades"




“Delicadas, as amizades”
“Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?
Quanto de verdade suporta um amigo?
Aliás, o que é verdade?, já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?
São bem delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável. Mas amizade convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa q. ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequóias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.
(…)
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com excesso ás vezes excessivo. Claro, também às vezes se perde o amigo pela a escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela falta mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala e escreve uma coisa, o outro ouve outra cosa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio a amizade fica torta.
Diz o apóstolo, Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
_ Será assim a amizade?
(…) Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
(…)
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os q. no poder não estão. Neste caso não se pode fazer nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo.
Retornaram algum dia?
Nesse caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
(…) Qual o grau de resistência de uma amizade?
De um metal podemos dizer: derrete-se a tal qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes desmancham no ar.”
SANT” ANNA, Affonso Romano.

Procura-se Autoria.

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